A Implantação de Sistemas de Rastreabilidade na Pequena Indústria


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Seguidamente somos questionados por industriais e gestores que desejam implantar rastreabilidade em suas empresas. O primeiro impulso destes é buscar um software que realize esta função, porém na maioria dos casos, o software não é o principal ponto a ser avaliado, pois existem vários aspectos que precisam ser vistos a fim de que a implantação seja um sucesso. Em um primeiro momento é fundamental realizar um diagnóstico profundo a fim de identificar a realidade atual da empresa e onde quer chegar:

a) Qual o objetivo da rastreabilidade que a empresa quer implantar? Atender a legislação? Exigência dos clientes? Projetos de Qualidade?

b) A partir da identificação destes objetivos, é preciso ir a fundo e entender quais as exigências que a legislação, os clientes ou os projetos de qualidade têm;

c) Em que nível será necessário o controle de rastreabilidade? Somente do produto pronto ou dos produtos semiacabados e matérias-primas também?

d) Quais características físicas dos produtos e insumos da empresa precisarão ser avaliados em conjunto com a rastreabilidade? É preciso controle de validade também?

e) Qual o volume de movimentação dos itens estimado? Será necessária a utilização de  dispositivos de automação, com impressão e leitura de código de barras, QR-Code ou RFID?

f) Além de lote será necessária a identificação individual dos produtos prontos com número de série? Que outros dados deste precisam ser armazenados?

g) Como se dá o processo de armazenamento dos itens? É possível realizar o armazenamento separado de lotes em locais específicos ou contenedores?

h) Como se darão as requisições dos produtos ou insumos? É possível utilizar sistema FIFO (First In First Out – Primeiro que Entra, Primeiro que Sai) ou será necessário apontar lote por lote?

Enfim, são vários pontos fundamentais que irão nortear o controle de estoque que passará a ter mais um nível normalmente definido pelo Número do Lote. Quando se pensa em um sistema de rastreabilidade funcional e otimizado é importante avaliar em primeiro lugar o setor que está sendo trabalhado. Uma indústria alimentícia ou farmacêutica, por exemplo, precisa de determinados controles pois em caso de algum problema sanitário ou químico, poderá facilmente rastrear quais os produtos foram produzidos com determinado lote de matéria-prima, e poderá tomar ações no sentido de encontrar quais clientes receberam estes produtos e retirar os produtos das prateleiras ou até mesmo avisar o consumidor final sobre o problema. No caso de uma indústria automobilística que tem toda uma rede de sistemistas que fornecem as várias peças ou subconjuntos necessários para a montagem do veículo é fundamental também a rastreabilidade a fim de identificar falhas em itens de segurança que podem inclusive gerar acidentes graves.

Um processo logístico simplificado inicia com o setor de recebimento que irá identificar o lote de matéria-prima pela própria codificação do fornecedor ou com a geração de uma numeração de lote interna da empresa. Com este lote identificado é importante que ele seja associado aos itens na própria embalagem dos mesmos ou nos contenedores e locais que estão armazenados. Se existe um software que faz a geração do lote no recebimento e realiza a identificação dos insumos, o próximo passo é associar este lote a um local no almoxarifado, tornando mais fácil e ágil este processo, permitindo em qualquer momento buscar o mesmo dentro do armazém. Através de um equipamento coletor de dados é possível realizar esta associação de forma móvel pelo próprio estoquista que pode ler a etiqueta do local ou contendor e depois o número do lote do produto, fazendo assim que o banco de dados armazene este endereçamento.

Na hora da geração das ordens de produção do produto pronto ou semiacabado deve existir também a geração do lote (e também número de série se for o caso) conforme as normas internas da empresa. Quando forem requisitados os insumos necessários é importante que novamente se faça a leitura dos lotes de material utilizados pois assim o banco de dados das ordens de produção guardará a informação para posteriores consultas. Em alguns casos é importante que seja utilizado o FIFO nestas requisições com o software apontando em que locais estão os materiais mais antigos e que devem ser utilizados.

Nas etapas seguintes da produção e no faturamento e expedição a lógica é a mesma com leitura em todos os pontos a fim de que tenha uma rastreabilidade completa a fim de proporcionar agilidade em casos de necessidade. É fundamental que o armazenamento seja feito separado pois caso contrário não é possível realizar um inventário adequado.

O software ERP é vital neste processo quando ele próprio executa estas funções ou quando está integrado a um sistema terceiro especialista denominado WMS – Warehouse Management System – Sistema de Gerenciamento de Armazém que, neste caso precisa estar bem integrado ao ERP para evitar problemas de integridade das informações.

Um planejamento deve ser cuidadosamente montado prevendo todos os passos e pré-requisitos,  avaliando em um primeiro momento as questões logísticas e do processo e logo em seguida o software, que precisa estar bem alinhado e preparado para atender todas as demandas existentes. Fundamental que sejam identificados os riscos e que sejam previstos testes no processo, além de envolver o pessoal de campo, pois não se trata de um projeto de informática e sim da gestão da empresa como um todo.

Luís Fernando Massenz

Consultor em TI

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